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O Lanterninha é um projeto iniciado por Francine de Souza (Formanda de Jornalismo - UFPR) e Lucas Gandin (Jornalista e Estudante de Relações Públicas - UFPR) para abrir a discussão em cinema. Não somos críticos profissionais, mas palpiteiros de carteirinha. Nosso objetivo é conversar sobre tudo: obras recentes, esquecidas, críticas, reconhecidas, famosas, amadoras, diretores, resenhas, intertextualidades, multidiciplinaridade, enfim, que de alguma forma agreguem conhecimento e/ou entretenimento. Então corra até o pipoqueiro mais próximo, que este é apenas o
trailler.

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Quinta-feira, Junho 15, 2006
Momento poético
Olhei para a sacolinha da locadora. Mais uma vez minha mãe escolheu os filmes que mais chamaram a atenção dela e ali estava Cazuza: O tempo não pára esperando por mim. Depois de ter ouvido alguns cometários negativos sobre o filme, resolvi assistí-lo. Surpresa. Daniel Oliveira se empenhou de um jeito no papel que por diversas vezes pode ser confundido com o original. Apesar dos grandes lapsos temporais, das drogas, doença à loucura, a sensibilidade de alguns momentos fazem desse filme realmente especial. Algumas cenas, como Cazuza e Bebel Gilberto cantado "Eu preciso dizer que te amo", as irreverências do artista no relacionamento com a mãe ou até mesmo os jogos de câmeras que dão a impressão de se estar assistindo um DVD de show do Cazuza foram muito felizes na minha opinião. O jovem Cazuza é o retrato da juventude dos anos 80: urgente, inconsequente, perdida, sonhadora. A personalidade, às vezes amável, outras vezes ácida, se acentua com o fato de ser um playboyzinho, mas supreende pela sua transgressão, por ser um roqueiro que buscava novos ritmos, outros sucessos. A doença lhe traz a redenção, a reflexão de como o tempo não pára: Se era o dono do mundo, agora era um levado pela vida. As poesias inseridas em offs demonstram claramente essa mente contraditória. Penso que a que mais se destaca é essa:
"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como as borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."
E não é preciso dizer mais nada!
Postado por: Fran :o)
12:27 AM
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Segunda-feira, Junho 05, 2006
Oscar, give me a brake!
Sempre que vou a locadora reparo nas qualificações que o filme possui na capa. Dizem que não se julga um livro pela capa, um filme então, nem se fala. Se ele fez parte de um festival, há letras garrafais indicando "Festival de Thumurblagadesh", mesmo que isso não queira dizer nada se irá te agradar ou não. O mesmo acontece com o famoso Oscar! Não... Ele não é garantia de satisfação. A Academia, além de possuir avaliadores especialistas em cinema (?), é composta de ex-ganhadores do próprio Oscar (???). Aí vai o clima da camaradagem, é claro. A atriz, a namoradinha de Hollywood, com certeza terá mais chances do que a que trabalhou melhor seu papel. O filme, o vencedor de bilheterias, politicamente correto, terá um bônus em sua candidatura ao melhor do ano. Isso sem falar em outras categorias, como a célebre vez em que Antônio Bandeiras cantou (???) A Otro Lado Del Rio de Jorge Drexler na festa. Resultado: Apresentação sofrível para tão linda música, que ganhou merecidamente, mas após alguns chiados nos bastidores. Enfim... Acho que essa discussão se deve a minha real decepção com o final do filme Crash - No Limite, o grande vencedor da última edição. Emoção? Sim... Supresas? Algumas... Mas o que foi aquele final digno de um filme de Natal? Neve, pessoas avaliando e se redimindo como se o espírito do Natal passado tivesse entrado em suas casas para dar um puxão de orelha? Ok! Devo fazer uma resalva: Entre os candidatos a melhor filme, não era a pior opção.
Ainda penso que O Jardineiro Fiel deveria ter sido visto com outros olhos e faturado mais prêmios... A questão é até onde assumir determinada realidade não fere a própria inteção da festa de estrelas e glamour...
Postado por: Fran :o)
9:48 PM
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Segunda-feira, Maio 22, 2006
Acidentes do amor
O trailler de Closer - perto demais começa com a frase: love is an accident waiting to happen (o amor é apenas um acidente esperando para acontecer, numa tradução livre). E como todo acidente, deixa feridas e mutila. As pontes de Madison (EUA, 1995) transita por esse tipo de amor. Francesca (Meryl Streep) é uma dona de casa que mora no interior do estado de Wiscosin, EUA, mais precisamente no condado de Madison, uma região conservadora nos princípios morais que regiam uma sociedade dos anos 50 e um lugar onde os fazendeiros plantam para sua subsistência.
Quando ela falece, seus filhos recebem uma carta e uma chave que abre um baú, onde Francesca guardou as lembranças de um grande amor até então nunca revelado que teve anos atrás quando seu marido e filhos viajaram. Através de um grande flashback, a sua história de amor com o fotógrafo da National Geographic chamado Robert Kincaid (Clint Eastwood) é contada.
O começo pode até parecer se tratar de uma história de amor boba, tipo A lagoa azul, mas Clint, diretor do filme, vai aos poucos alfinetando assuntos delicados e difíceis que sempre estão relacionados ao amor. De início, toca no tabu da traição, representado pela dúvida de Francesca em seguir seu coração ou manter o padrão moral da época.
Entretanto, o filme ganha vigor quando passa a mostrar o sacrifício de Francesca em abandonar uma vida feliz para continuar a criar os filhos estando ao lado do marido. Clint não recai no clichê de martirizar a personagem pela culpa da traição; Francesca tem consciência do que fez, mas também acredita que amar verdadeiramente não é nenhum ato de traição para consigo. O drama da história percorre o psicológico de uma mulher que vê num amor errôneo a possibilidade de se libertar das amarras sociais de um mundo fechado e atrasado.
Tanto que, quando os filhos abrem o baú encontram todas as lembranças desse amor, desde um mero bilhete marcando um encontro até as fotos que Kincaid tirou de Francesca, e através dessas lembranças a história de amor é reconstruída. Desse modo, Clint não só faz os filhos de Francesca repensar suas relações conjugais, mostradas como problemáticas e decadentes no filme, como também subverte o julgamento inicial da traição da mãe e o repúdio para a compreensão deles com o que se passou.
Streep novamente consegue colocar uma intensidade em Francesca tão natural que passa longe dos estereótipos e caricaturas muitas vezes encontrados em filmes cujo tema é o amor.
Às vezes penso que Clint tem uma obsessão pela fotografia perfeita, as paisagens, enquadramentos dão brilho especial ao tema e ao filme. Apesar de tocar em temas tão delicados e tão profundamente, Clint ainda não contundente como em Sobre meninos e lobos e Menina de ouro, que possuem uma densidade tal qual um gancho de direita. As pontes de Madison precisam de dois assaltos para levar o espectador a nocaute.
O amor é sim de fato um acidente esperando para acontecer. Em As pontes de Madison, você corre o risco de no mínimo ser atropelado.
Postado por: Lucas
6:06 PM
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Quarta-feira, Maio 17, 2006
Apenas perdido
Saí do cinema e vim logo para casa pegar o livro que inspirou tanto a adaptação quanto a resenha: Achados e Perdidos, do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza. Depois de quarenta anos como professor de psiquiatria da UFPR, Garcia-Roza resolveu abandonar a cadeira e se dedicar exclusivamente ao romance policia. Deu certo, os quatro primeiros livros (O silêncio da chuva, Achados e Perdidos, Vento sudoeste e Uma janela em Copacabana) venderam mais de 100 mil cópias, algo extraordinário para o mercado editorial brasileiro e para o gênero do romance policial.
Fico pensando em Garcia-Roza criando o personagem central dessas obras, o delegado Espinosa, que faz as vezes de detetive nas tramas. O personagem é criado e desenvolvido ao longo de todo os títulos e do seguinte (Perseguido), a cada obra, o leitor fica sabendo um pouquinho mais de sua história, de sua personalidade, de seus medos e anseios. Ao mesmo tempo prazeroso, é um trabalho pesado, isso vocês sabem bem.
Em Achados e Perdidos, o filme, fiquei esperando Espinosa aparecer o filme todo, e que raiva deu perceber e no final certificar-me de que ele foi extirpado da história. A trama muito bem criada por Garcia-Roza ficou capenga, aleijada e horrível.
A história, do livro, conta o caso do delegado Vieira que tenta preencher o vazio com prostitutas e conhece Magali, uma das pássaras da noite (como diria García Márquez). No auge de seu romance com Magali, um antigo amigo volta para assustar Vieira com fantasmas do passado e muito poder de fogo para chantagens. Após uma noite terrível em que Vieira se embriga, Magali aparece morte, e o delegado fica sendo o principal suspeito e complicado por uma amnésia alcoólica. Vieira se envolve também se envolve com uma amiga de Magali, uma puta jovem chamada Flor.
O trunfo do livro e da obra de Garcia-Roza é transpor para as páginas o submundo de Copacaba, com suas putas, travestis, policiais corruptos, menores trombadinhas, etc. A morte de Magali teria sido supostamente testemunhada por um menor de rua, que passa a ser perseguido e se safa, por engano do assassino da morte (outro menor morre, porque dormiu no esconderijo em que o primeiro costuma se albergar). Espinosa se envolve com Kika, uma jovem artista plástica, cativante e sedutora que ajuda o delegado-detetive a proteger o menor. O enredo segue envolvente, repleto de ação e reviravoltas, perfeito para apreender a atenção do leitor.
No filme, Espina, Kika, e o menino de rua somem. A história é contada por Vieira (Antonio Fagundes), Magali (Zezé Polessa) e Flor (Juliana Knust). Na verdade, Copacabana parece destituída dos meninos de rua. No entanto, o submundo ainda é bem recriado. O diretor José Joffily acerta em usar um enquadramento nervoso, que acompanha o andar e o perfil psicológico dos personagens, como também acerta em recriar a história do passado, do romance de Vieira e Magali por meio de flashbacks.
Mas é só... os atores parecem não entrar nos personagens e não atingem o perfil de que eles precisam. A trilha sonora não ajuda... é fraca e abafada. Entretanto, o que mais impressiona é a coleção de clichês usados nas falas dos personagens: "eu queria me matar, mas não tive coragem", "era como se Deus tivesse me dado uma segunda chance", "a gente pensa que o tempo vai apagar, mas sangue não dá pra limpar".
O pior é que Garcia-Roza não usa essas pobrezas de linguagem nas suas obras. O romance feito por Garcia-Roza talvez não atinja o nível dos de Dennis Lehane (Sobre meninos e lobos e Paciente 67), ou de Manuel Vásquez Montalbán (A rosa de Alexandria), mas tem uma qualidade literária, estética, lingüística e temática primorosa, cuidada.
Faltou a Achados e Perdidos, o filme, um trato no roteiro, um cuidado na estética, fugir do aspecto noir tão comum em filmes policiais, e é claro, faltou Espinosa e a riqueza de Garcia-Roza. Sugiro a leitura...
Postado por: Lucas
11:01 PM
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Terça-feira, Maio 09, 2006
O pior dos piores
Algumas dobradinhas marcaram a história do cinema: Almodóvar com Cecília Roth ou Marisa Paredes, Woody Alen e Mia Farrow, Maggie Smith e o cinema inglês, Michael J. Fox e Christopher Lloyd inesquecíveis na trilogia De volta para o futuro. Entretanto nenhuma deu tão certo quanto Tim Burton e Johnny Depp.
A dupla estreou em Edward mãos-de-tesoura em 1990, filme que se tornou um clássico da Sessão da Tarde e a cada dia avança, entre muitas opiniões controversas, para o status de cult dos anos 90. Em 1999, retornaram no filme de terror e suspense A lenda do cavalheiro sem cabeça, que se baseia numa história homônima escrita por Washington Irving (1783-1859), um dos primeiros escritores norte-americanos.
O enredo se passa na época em que os ingleses eram os colonizadores da região conhecida como Nova Inglaterra, destino de muitas pessoas que almejavam obter melhores condições de vida no Novo Mundo, entre eles holandeses e dinamarqueses. A lenda... recria o clima gótico das primeiras cidades nos Estados Unidos, bem como o aspecto medieval dos pequenos burgos - geralmente várias fazendas administradas por grupos familiares fechados - em que o apego à religião disputa espaço com as práticas pagãs.
Em 2005, Burton e Depp aparecem juntos em A fantástica fábrica de chocolate e Noiva cadáver. O primeiro, uma regravação do clássico de 1971, conta a história de Willy Wonka e sua excêntrica fábrica de chocolate, fechada a visitas há 15 anos. O filme traz elementos bem característicos do estilo burtoniano, como a recriação da fábrica como um espaço lúdico e uma cena que remete a Edward: a linha de montagem automatizada que produzem doces de todas as cores e todos os sabores.
Noiva cadáver segue o mesmo estilo de O estranho mundo de Jack. O filme é feito utilizando a técnica do stop-motion. Em um vilarejo europeu do século XIX vive Victor Van Dorst, um jovem que está prestes a se casar. Porém acidentalmente Victor se casa com a Noiva-Cadáver, que o leva para conhecer a Terra dos Mortos. Desejando desfazer o ocorrido, aos poucos Victor percebe que a Terra dos Mortos é bem mais animada do que o meio vitoriano em que nasceu e cresceu (sinopse retirada do site adoro cinema, porque eu ainda não assisti ao filme).
Burton e Depp estão juntos em outro filme, que deixei propositalmente para o fim. Talvez o melhor filme de Burton, ao menos disputa o título a par e passo com Peixe grande, Ed Wood (1994) foge um pouco ao estilo presente em Edward... e A fantástica..., mas ainda assim é de longe reconhecível um filme burtoniano.
O filme conta a história real do diretor de cinema Edward Davis Wood Jr. Produtor e diretor de filmes classe B de terror e ficção científica, seus trabalhos se destacaram pela péssima qualidade, com efeitos especiais grosseiros (por exemplo, discos voadores feitos de pratos de alumínio e pendurados por um fio nitidamente visível), nenhuma continuidade de cena e tramas confusas. Por conta disto, Ed Wood é considerado o pior cineasta de todos os tempos. Não obstante o título tão ignóbil, seus filmes toscos contam com uma legião de fãs, que se divertem ao assistir suas obras bizarras. Seu filme de maior sucesso (ou insucesso) foi filmado em 1956 sob o título original de Plano 9 do Espaço Sideral. Este filme é considerado o pior filme de todos os tempos.
Burton traz para as telas a eloqüência do diretor, sabiamente representado por Depp. Wood fazia o possível e o impossível para conseguir produzir seus filmes, usando sempre a fórmula uma boa história + atores de grande peso, acreditando que isso garantiria o sucesso de seus filmes. Não à toa, ele fica amigo do ator Bela Lugosi e o convence a trabalhar consigo. As últimas imagens de Lugosi foram feitas por Wood, em frente de casa; num enterro e andando num descampado. Pouco depois disso o ator morreu.
Em Plano 9..., Wood convence membros da Igreja Batista a financiar seu filme, alegando que imagens póstumas de Lugosi iriam alavancar o sucesso do filme. Entusiasmado, o pior diretor de todos os tempos não hesitou quando os religiosos obrigaram-no ele e sua equipe a serem batizados antes das filmagens iniciarem.
Wood tinha alguns conceitos determinados sobre cinema, muitos deles criados devido à falta de dinheiro, como filmar apenas uma vez cada cena e até mesmo substituir Lugosi por outro homem, que mantém um rosto coberto por uma capa erguida durante todo o Plano 9..., já que não era mais possível filmar Lugosi.
Ainda há outras cenas bizarras, como o ataque de um polvo gigante, nitidamente de borracha e sem nenhum movimento que denotasse algum sinal de vida no animal. Ed Wood possui uma bela fotografia, um enredo envolvente e uma estrutura narrativa que consegue transmitir toda a loucura do cineasta Ed Wood com um toque de inteligência e sabedoria. Nada surpreso, afinal é um filme da dobradinha mais bem sucedida do cinema.
Postado por: Lucas
7:43 PM
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Quarta-feira, Abril 26, 2006
Soldado Anônimo... a inutilidade do exército...
Sinceramente, quando vi o trailer desse filme, fiquei um pouco preocupado. Sam Mendes é um dos diretores que mais admiro, afinal, considero Beleza Americana um dos melhores filmes que assisti. Ao ver o trailer de Soldado Anônimo tive uma impressão errada do conteúdo do longa, julgando que seria um filme completamente superficial sobre a guerra (e com "fanatismo patriótico" americano).
Soldado Anônimo pode não possuir um clima de violência tão pesado como alguns outros filmes do gênero (Platoon, Apocalypse Now, Nascido para Matar), mas consegue passar muito daquilo que realmente acontece numa guerra nos dias atuais. Inclusive acredito que esse é um dos maiores "trunfos" do filme, afinal sabemos como foi a Primeira Guerra Mundial (trincheiras e poucos aviões), a Segunda (muitos aviões, submarinos e bombas, incluindo atômicas) e outras mais recentes, como a Guerra da Coréia e Vietnã, mas poucos se lembram da ameaça da Guerra do Golfo, onde poderiam ser usadas armas químicas... mesmo esta última sendo muito mais recente (1990).
Baseado no livro de Anthony Swofford, soldado que "lutou" na Guerra do Vietnã, a história é um relato dos acontecimentos vividos por ele durante os períodos de alistamento, treinamento, preparação e permanência no campo de batalha. São muitas as semelhanças com Nascido para Matar (em alguns momentos parecia estar tendo um "déjà vu"), principalmente durante as sequências de treinamento no Corpo de Fuzileiros.
A idéia central do filme e o que realmente o torna diferente dos demais do gênero, é mostrar a "espera" pelo combate. A chegada das tropas americanas ao deserto no Kuwait, os momentos de distração, companheirismo e "explosão" de sentimentos que vão se acumulando em cada um dos membros do pelotão. O que nos mostra, afinal de contas, é como os fuzileiros se tornaram relativamente "obsoletos" nas atuais guerras. O filme só deixa de questionar diretamente os motivos da própria guerra, mantendo-se relativamente afastado de comentários políticos ou econômicos.
Em determinados momentos, cheguei a me sentir um pouco velho. Quando percebia o quanto me lembrava de muitas das coisas citadas no filme, chegava a ficar um pouco "assustado". Apesar de ter apenas 10 anos quando ocorreu a Guerra do Golfo, lembro-me claramente das imagens dos campos de petróleo em chamas (na TV, nos jornais e na escola). A propósito, minha cena preferida no filme encontra-se exatamente nesse momento.
Vale a pena ressaltar, entre os méritos do filme, o belíssimo trabalho de fotografia realizado por Roger Deakins, que também fez um ótimo trabalho em "A Vila" e "Casa de Areia e Névoa". As tomadas em pleno deserto e durante a queima dos campos, tem um impacto realmente interessante.
Fiquei muito satisfeito ao ver (e rever) esse filme, além de comprovar que Sam Mendes continua sendo um dos maiores nomes da atualidade, dirigindo seus filmes com precisão, dedicação e muito sentimento. Recomendado.
by yxhjsk
Postado por: Fran :o)
4:18 PM
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Quarta-feira, Abril 19, 2006
Da velhice e da amizade
Talvez só compreendamos a velhice quando de fato envelhecermos e as dificuldades impostas pela idade impeçam-nos de realizar tarefas corriqueiras como ir ao mercado fazer compras e então entraremos naquele conflito entre a mente lúcida e o corpo fraco, que nos faz crer ainda ser possível viver com a destreza da fase adulta ignorando os desafios que a dificuldade de locomoção e a falta de coordenação trazem.
É nesse contexto que se constrói o enredo de Conduzindo Miss Daisy. Judia rica de 72 anos, Miss Daisy resiste à evolução sócio-cultural pela qual passavam os Estados Unidos, numa época em que o preconceito racial era visível nas leis segregacionistas que proibiam os negros de até usar os banheiros de postos de gasolina.
Percebendo o avanço da idade e as dificuldades impostas à mãe, seu filho Boolie resolve contratar um motorista negro, Hoke Colburn, para levar a mãe onde quer que ela precise. De início, Miss Daisy reluta contra o novo funcionário, inclusive tratando-o mal e brigando-lhe por cuidar das flores do jardim da casa, por olhar as fotos na parede, atitudes que denotam somente a implicância.
Pouco a pouco Hoke e sua insistência vão dobrando a rigidez de comportamento de Miss Daisy e a amizade que nasce entre eles chega ao clímax da cumplicidade. A amizade também desmancha velhos padrões da sociedade americana da metade do século XX, período em que os discursos de Martin Luther King ganham peso social e encaminham a luta pelo fim do apartheid nos EUA.
Fica difícil dizer quem atua melhor. Jéssica Tandy, no papel de Missa Daisy e Morgan Freeman, na pele de Hoke estão excelentes, trabalho que lhes rendeu um Urso de Prata pela atuação conjunta no Festival de Berlim.
Embora a história da amizade entre os dois permeie quase todo o filme, é tocante também o modo como a velhice é conduzida, como dia a após dia as dificuldades crescem, a lucidez de esvai até o momento em acomete a Miss Daisy ataques de esquizofrenia. Mesmo já não dirigindo mais, Hoke, que no final do filme parece mais seu marido, continua calidamente conduzindo Miss Daisy.
Postado por: Lucas
2:21 PM
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Quarta-feira, Abril 12, 2006
Dinheiro que cai do céu? E não é pastelão....
O filme "Caiu do Céu", do mesmo diretor do polemissíssimo "Trainspotting", aparenta possuir uma temática dignas dos filmes de Natal que surgem nas prateleiras todos os anos. Danny Boyle fazendo filme a la "O Grinch"? Algo estaria errado não? Ora... A própria tradução do título de "Millions" para "Caiu do Céu" já descaracteriza um pouco o que ele pretende dizer, deixando-a mais comédia do realmente é...
O diferencial do filme é aquele velha fórmula do primor pela sutileza. Não é um roteiro de natal, mas que se passa no natal. Inclusive, o tema principal é a inocência como regulador dos princípios éticos. Para quem não conhece, o enredo conta a história de um menininho chamado Damian que encontra uma bolsa com milhões de libras, sete dias antes da sua alteração para o Euro. Ele conta para seu irmão Antony, que o convence a guardar segredo e a partir daí, as relações humanas passam a ser as mais variadas possíveis. Boyle gosta de brincar com o jogo de personalidades.
Um observação que deve ser feita é a bela fotografia, que consegue se superar, já que o tema não ajudaria na captação de imagens tão bonitas. O próprio personagem principal, Damian, gera muito carisma, pois é uma criança que não se interessa por futebol, como as outras de seu colégio: Ele sabe sobre e vê santos! Isso é mostrado de uma maneira muito simples e dá uma cumplicidade especial desse personagem, para com o espectador.
Agora o que estragou na minha opinião: O Final! Não vou contar detalhes é obvio, não quero dar uma de chata, mas pensei que ele está deslocado. Ficou politicamente correto demais, e quebrou a rede de relações humanas que vinha se fazendo até então.
Mas recomendo. É um filme sensível, alegre, sem contra-indicações... O máximo que ele pode causar é uma sensação sessão da tarde!
Postado por: Fran :o)
11:18 AM
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Segunda-feira, Abril 03, 2006
Um gostinho de quero mais
Quando li a resenha do Era do Gelo 2 na Folha de São Paulo e na Gazeta do Povo achei curioso os dois veículos comentaram que falta aos estúdios Fox a mesma inteligência que a Pixar-Disney tem. Ao assistir ao filme entendi o porquê.
Era do Gelo 2 é um ótimo filme. Divertido com time certo para cada piada e em momento algum parece se arrastar. No começo pode-se ter a impressão de excesso de músicas no filme, mas nada que atrapalhe a condução da história. Mas de fato falta um quê de inteligência no filme. Algumas cenas são previsíveis como a do Scrat no paraíso. Assim que começa a seqüência é muito fácil deduzir como ela acabou. E isso se repete no filme algumas vezes.
Claro, Scrat ainda é a grande atração do filme. Sua esquizofrenia por nozes rende boas risadas e ótimas passagens, sem a necessidade de piadas ou algo além do personagem que levasse ao riso. Aliás, essa é uma das sacadas do filme. Boa parte das cenas engraçadas dispensa diálogos. Um mero gesticular de um personagem (como o eu-tô-de-olho-em-você de um dos gambás ¿irmão¿ da Mamute Ellie) basta para conseguir um trecho inteligente e divertido.
Talvez o que faltou foi aliar uma coisa a outra, passar as grandes piadas conseguidas nos detalhes do filme para a fala dos personagens, o que certamente demandaria um roteiro mais elaborado.
No final o filme tem mais pontos positivos que negativos e ao sair da sala de cinema fica a gostosa sensação de assistir a algo divertido, bem feito e bacana. Não chega a ser um Shrek 2, que consegue superar o primeiro, mas é um bom filme, muito bem dirigido por Saldanha, que acertou em fazer a continuação. É daqueles filmes para se ter na dvdteca para os dias modorrentos de sábado à noite.
Postado por: Lucas
10:21 PM
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Segunda-feira, Março 13, 2006
Por que "Um amor para recordar" agrada tanto?
Um amor para recordar não traz nada de novo. O roteiro repete indiscriminadamente todos os clichês possíveis: um menino rebelde que se apaixona por puritana recalcada motivo de chacotas entre os amigos da escola - que por sinal mais parecem um bando de adolescentes com vento dentro da cabeça. O casal se apaixona e ele muda da água para o vinho e passam a viver felizes, até que se descobre que ela possui uma doença que a leva à morte. Como visto, puro clichê, igual ao modo como usei para começar essa resenha.
Mas o filme tem uma sacada. Mesmo que forçadamente, fala de amor. De amor incondicional e verdadeiro, que vence o drama e impera na história. Fala de um amor que vence todos os obstáculos, inclusive o figurino ultrapassado e brega de Jamie. E ao falar desse amor, acerta em cheio no emocional dos espectadores e consegue contornar os inúmeros pontos fracos do filme.
Landon é o estereótipo do romântico esquecido, que se transforma completamente enquanto a história avança e ao final dela, suspira os corações apaixonados das mulheres que buscam por esse cavalheiro romântico e serve de espelho os homens que se prestam a metade do que ele faz.
Às vezes a história me sabe ao amor: tolo e ingênuo. Ao subir os caracteres, sente-se uma sensação agradável de assistir a um filme como esse. Justamente porque ele fala do amor. Seja ele bem pincelado e cuidadosamente trabalhado como em O Segredo de Brokeback Mountain ou em seu formato kitch em Um amor para recordar, ainda é o amor, que nos toca o coração e mexe com nossas emoções e a maneira como o sentimos.
Aí não importa o clichê ou se terminamos de assistir ao filme e temos aquela sensação de ter perdido tempo com mais um filme comercial. Às vezes esquecemos como o amor é em sua essência e Um amor para recordar nos empresta, mesmo que por poucos minutos, um pouco de sua leveza e plenitude. Falar do amor ao coração é no mínimo tendencioso, ele não entende o que é clichê e que não tem qualidade.
Postado por: Lucas
8:08 PM
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Quarta-feira, Março 08, 2006
O Fabuloso Mundo de Jean Pierre Jeunet...
Francês. De alguma forma, todos os filmes que vejo vindo dos franceses mostram-me uma visão sensível do mundo, daquelas que envocam os meus mais remotos sentimentos da infância. Jean Pierre Jeunet, segundo ele mesmo, conserva o dom imaginativo de criança, de descobrir nos gostos o sentimento que isso traz. Mesmo em filmes em que a temática tinha tudo para cair na frieza cruel do mundo dos adultos, há um brilho típico dessa primeira idade como em "Delicatessen" - Uma comédia futurística sobre o mundo em caos - ou "Eterno Amor" - Que relata a saga de uma moça a procura do seu noivo, que foi à 1ª Guerra Mundial.
Nascido em Setembro de 1953. Sua carreira começou, como de a tantos outros, em produções de anúncios televisivos e videoclipes. Sua primeira obra cinematográfica foi ¿L Évasion¿, um curta-metragem e logo após ¿Le Manège¿ ganhou um César, o grande prêmio do cinema francês. "Delicatessen", em 1991, inicia o caminho de Jeunet nos longa-metragens. Em 1995, acrescenta "Ladrão de Sonhos" à sua filmografia, mantendo a parceiria com Dominique Pinon (que é figurinha carimbada a partir de então). Dois anos depois, foi duramente criticado ao relizar "Alien: A Ressurreição" por fugir do seu estilo, e por ser mais rentável à Fox do que agradável aos fãns.
Sua fama retornou com "O Fabuloso Destino de Amélie Poulan" em 2001. Nem o próprio Jeunet explica seu sucesso, mas dá a dica numa entrevista para o site ZetaFilmes.com.br que reproduzo aqui: "Quando eu era criança, fugia da minha família com minha imaginação. E isto continua, mas agora me pagam por isso. Muitas pessoas perdem o espírito da infância. Toda criança tem muita imaginação e você perde isto ao poucos. Não sei por que, mas mantenho isso." Amélie (Audrey Tautou) é assim: Meio fujona. Uma pessoa solitária e triste que busca na generosidade e na imaginação uma forma de complentar as pessoas que são assim como ela. A sensação de encontrar uma velha caixa de lembranças, de encontrar um novo amor ou de descobrir um segredo, são temas frequentemente abordados nessa obra, que mesmo não ganhando o Oscar, caiu no gosto até daqueles que achavam o cinema europeu enfadonho.
Ponto para os cinéfilos, ponto para Jeunet que em 2004 faz nova parceiria com Audrey Tautou em "Eterno Amor". Permanece ainda um certo jeito améliano de ser, mas numa temática que troca o cotidiano sensível por questões de ética e moral.
Jean Pierre Jeunet continua produzindo, como nunca. Talvez não goste tanto de quando seus dedos enrugam ao permanecer muito tempo na banheira, mas o cheiro da chuva... Ahhhh! Esse sim....
Aguardaremos seu próximo lançamento em 2007!
Postado por: Fran :o)
12:00 PM
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Terça-feira, Março 07, 2006
Viagem no Tempo - o caso do Efeito Borboleta
O Efeito Borboleta é não aqueles filmes que podemos chamar de arte ou cult. Na verdade o filme só sobrevive graça ao roteiro. Fora isso é um filme comercial. Belos atores em atuações não tão belas, trilha sonora salva pela música final do Oasis e uma fotografia que às vezes pincelas bons enquadramentos. O figurino sim é muito bom, principalmente o estilo retrô de Ethan.
A história a maioria sabe: Ethan é um jovem universitário que durante a infância sofre de uns "apagões", cientificamente não explicados. Quando adulto, descobre que pode voltar no momento desses apagões e verificar o que aconteceu e também a mudar esses acontecimentos. Porém cada vez que ele muda algo, a história se modifica por completo até que ele perde controle de sua capacidade.
A morte sempre está por perto, e sempre provoca por suas intervenções. Seu pai morre porque tentou matá-lo. Sua mãe, doente de câncer, pelo sofrimento causado quando ele perdeu os braços. Tommy pelas próprias mãos de Ethan; Kayleigh, depois que ele a procura e a sua tentativa de suicídio.
A grande polêmica fica em torno das interpretações feitas pelos fãs do filme. Uns dizem que o diário não existe, outros que ele sempre esteve internado como louco e tudo não passou de imaginação dele e alguns que ele viaja no tempo. O pior é que o filme permite as três interpretações.
Mas quero me concentrar nesta última. O filme não trata apenas da teoria do caos. Também inclui a Teoria da relatividade. Quando Hawking estudou os buracos negros, descobriu que eles poderiam servir de ponte a um universo tangente, já que eles encurtariam o tempo de viagem. Ou seja, se viajarmos na velocidade da luz e pegarmos um atalho, viajaremos tão rápido que a luz levaria mais tempo para percorrer um determinado espaço e assim voltaríamos no tempo. Entretanto, uma viagem dessa nos levaria a outra ponte do atalho e sairíamos no universo tangente, (segundo os estudos de Hawking, há 11 planos de relação espaço-tempo, semelhantes ao nosso). A máquina de viagem poderia ser qualquer coisa.
Quando Ethan tem aqueles surtos que o leva a reviver o que já aconteceu, há um mistura disso tudo. É como se ele achasse uma máquina (sua mente) e um atalho (a volta ao fato acontecido) e saísse na outra ponta do atalho (uma época ja acontecida). Como a viagem é mental, não aparece um Ethan novo e um velho ao mesmo tempo.
A partir daí todos os eventos serão diferentes do que ele já viveu, mesmo que ele ainda se lembre do que se passou numa outra realidade. E a filme deixa para trás a realidade anterior e passa a mostrar aquela em que Ethan está (ou outro lado do atalho). Logo não ocorre viajem no tempo. Se Ethan viajasse no tempo ele não guardaria o que aconteceu anteriormente, como ocorre quando ele acorda boy e na república de estudantes. Ele ainda guarda a amizade com aquele amigo roqueiro e punk, mas este não o reconhece. Entendido?
Postado por: Lucas
4:03 PM
Bilheteria:
Domingo, Março 05, 2006
hiu
Postado por: Fran :o)
11:21 PM
Bilheteria:
Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
Shiuuu... O filme já vai começar
Olá caro visitante...
A partir desse momento, um novo personagem fará parte de nossa
rotina: O Lanterninha.
No dicionário há uma breve descrição:
"LANTERNINHA s.f. Pequena lanterna. / - S.m. Gír. desport . Clube ou competidor que ficou classificado em último lugar. / - s.m. e s.f. Pessoa que, com uma lanterna, mostra lugar, numa casa de diversões; vaga-lume."
Hoje, a profissão de lanterninha está um pouco esquecida devido a modernidade dos cinemas. Entretanto foi um ator frequente no tempo em que as salas eram poucas na cidade, com função de auxiliar e fiscalizar o bom andamento das atividades dentro do cinema. (lê-se também: namoricos mais calorosos).
Apesar do seu trabalho, o Lanterninha é uma pessoa que está sempre atualizado quanto aos filmes em cartaz, e essa será a nossa trilha. Não somos críticos conceituados, mas traremos de tempos em tempos opiniões, dicas, resenhas, e tudo mais relacionado à cinema.A nossa lanterna trará a luz algumas obras, em foco ou esquecidas. Somos observadores, e é claro, queremos a opinião do grande público também.
Contextualizado então, aguardamos o começo da sessão... em 5, 4, 3, 2...
Postado por: Fran :o)
10:19 AM
Bilheteria:
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